3.
Metodologia
A metodologia
descrita no primeiro documento de projecto não será sensivelmente
modificada. Trata-se de uma metodologia que já fez as suas provas.
Mesmo se é mais do hábito inquirir um agregado durante um mês
para observar as suas despesas, a experiência mostra que existe
um grande risco de lassitude do agregado inquirido e que os dados
da segunda quinzena são de menos boa qualidade em relação à aqueles
obtidos durante a primeira quinzena.
O principio
de uma amostra renovável é preferível à uma amostra permanente,
essencialmente por razões de ordem metodológica relacionada com
este último. A recolha dos dados no terreno terá a duração de
um ano, ou seja de Fevereiro de 2003 a Fevereiro de 2004.
O volume
de trabalho ideal seria de dois agregados por dia e por inquiridor.
Isto pode parecer muito pouco, mas neste domínio também a experiência
mostra que os membros dos agregados, no meio urbano não estão
muito disponíveis e que as entrevistas se realizam geralmente
no fim do dia, enquanto no meio rural estão dispersos o que não
permite de inquirir mais de dois no mesmo dia. Para além disso
o inquiridor devera codificar certas variáveis (produtos, actividades,
profissões) e proceder ao primeiro controlo dos questionários
por ele preenchidos.
Propõe-se um esquema de recolha de dados que será desenvolvida
durante 20 Ciclos de Observação, sendo cada um realizado durante
um período de 17 dias. Com efeito, cada ciclo de observação de
17 dias ficará decomposto da seguinte forma:
Cada
sequência de 20 ciclos decompõe-se em:
· 12 dias de presença nas famílias com quatro visitas em cada agregado
· 2 dias de repouso
· 3 dias de controlo e de preparação da vaga seguinte
Esquema
de recolha para uma sequência e um inquiridor encontra-se detalhado
no documento metodológico em forma de tabela.
Assim
no primeiro dia de uma sequência, o inquiridor visita dois agregados
(AF1 e AF2). O Inquiridor preenche o módulo do questionário sobre
as características do agregado e entrega as cadernetas de contas
dando explicações sobre o preenchimento. No segundo dia, o Inquiridor
faz o mesmo para os agregados AF3 e AF4. o terceiro dia será vez
dos agregados AF5 e AF6. no quarto dia o inquiridor regressa
aos agregados AF1 e AF2 onde ele faz o levantamento de todas
as despesas registadas na caderneta de contas e preenche um outro
módulo do questionário. O cenário repete-se até ao 13° dia. No
fim de uma sequência o inquiridor terá registado as despesas
quotidianas das famílias durante 12 dias e preenchido o conjunto
do questionário (despesas retrospectivas, nomeadamente) durante
as cinco visitas
Está proposto
que após cerca de três meses de recolha, um período de duas semanas
esteja consagrado ao primeiro balanço e à identificação dos problemas
comuns encontrados e as soluções adoptadas. Dois outros períodos
de duas semanas ficarão programados apôs o sexto e o nono mês
de recolha.
4. Questionários e manuais
O princípio
geral é de ter um questionário de tipo pré-codificado, com excepção
de algumas variáveis (produto, profissão, ramo de actividade)
pelas quais a nomenclatura é muito detalhada. É uma certa vantagem
o facto do INE ter elaborado as nomenclaturas. Para a nomenclatura
de consumo recomenda-se inspirar nas normas internacionais, do
mesmo tipo que da COICOP () afim de permitir comparações com
os outros países.
Os diferentes
objectivos do inquérito impõem ter um núcleo central sobre as
despesas da família (despesas quotidianas e despesas retrospectivas)
e módulos sobre as características socio-demográficas dos membros
da família (com uma vertente antropométrica), sobre a actividade,
sobre o alojamento (com particular destaque sobre a água potável),
sobre o acesso aos serviços de base, sobre o autoconsumo e auto
fornecimento, sobre as ofertas . Importa reflectir sobre o conteúdo
da vertente ligada às receitas das famílias, tendo em conta que
se trata de uma informação difícil de obter, por ser muito delicada
par as famílias. .
Existe
igualmente meios, ditos de controlo, que permitem o bom andamento
da recolha e ajudar o preenchimento de certos questionários:
pessoas presentes na família durante o inquérito, controlo das
visitas recapitulativas, seguimento das entrevistas no agregado,
ficha de observação.
O facto
de haver três visitas às famílias permitirá separar o questionário
em módulos homogéneos que serão preenchidos durante uma das três
visitas. Em cada visita, será preenchida a parte sobre as despesas
quotidianas com a ajuda das cadernetas das contas entregues às
famílias.
Será necessário
prever um levantamento dos preços ao longo do inquérito afim
de valorizar o autoconsumo. Nesta ocasião um redimensionamento
das unidades de medida tradicionais será feito para os converter
em unidades standard. O Sector dos preços estará associado à esta
operação que poderá ser confiada aos profissionais do INE - IPC.
Este
levantamento permitirá também de actualizar as normas de consumo
para os produtos de base (banana, fruta-pão, matabala, arroz,
milho, açúcar, feijão, etc.). Uma melhor solução consistiria
em pesar as refeições, mas os custos seriam elevadíssimos. A
representatividade ao nível de cada Distrito já induz um custo
suplementar, e por isso é inútil de acrescentar um outro. Parece
que os hábitos alimentares em São Tomé Príncipe sugerem que a
alimentação comprada é inteiramente consumida pela família. A
diferença poderia existir si os consumos fora do agregado fossem
importantes. Si sim, pode-se prever em detalhar suficientemente
esses consumos e avaliar o complemento através de um pequeno
inquérito junto aos restaurantes.
Os manuais
(para os controladores e os inquiridores e para a enumeração)
deverão igualmente serem elaborados pela equipa metodológica.
.
5. Amostra
Atendendo que se tratará de um estudo exploratório na qual
a amostragem á estratificada, o tamanho da amostra será calculado
inicialmente a nível nacional e, consequentemente, distribuído
proporcionalmente por cada estrato pré-definido e dentro deste
será retirado uma amostra independente através do método aleatório
simples, tomando como base a proporção da população estimada
para cada um dos estratos.
Dentre
as 149 áreas de enumeração, é estimada a nível nacional 60 áreas
para o presente estudo, o que corresponde a 40% do total, sendo
33 para zona urbana e 27 para rural.
A formula
do cálculo para a determinação da amostra e outros detalhes serão
desenvolvidos no documento metodológico.
6. Organização
O sucesso
de uma tal operação é condicionado por uma boa organização e
pela criação de uma equipa permanente. Por ser assim que o INE
criou o Gabinete de Inquérito aos Orçamentos Familiares para
a execução do Projecto e recorrer a assistência técnica exterior
para superar a falta de experiência dos seus quadros.
O inquérito será executado sob a responsabilidade do Director Geral do INE,
o Coordenador Técnico do Projecto.
O Gabinete
de Inquérito aos Orçamentos Familiares de será composta de cinco
pessoas pertencentes ao INE:
· Um
responsável técnico, que cobrirá o conjunto das operações, incluindo
a análise, e cuja a afectação será à pleno tempo durante toda
a duração do Projecto;
· Três responsáveis da metodologia e da recolha, que assumirão o papel de supervisor
durante as operações de terreno, e participarão na análise e que serão igualmente
afectados à pleno tempo pendente toda a duração do Projecto;
· Um responsável Informático, que supervisará a digitação, o apuramento e o tratamento,
sendo a afectação à pleno tempo durante uma grande parte do Projecto;
· Um responsável administrativo e financeiro, afectado à pleno tempo durante
toda a duração do Projecto;
Para
além dos funcionários do INE, será necessário recrutar pessoal
de terreno. Partimos de princípio que um inquiridor tem um volume
de trabalho de ( ) agregados por ano.
Número de Inquiridores por Distrito:
· 7
inquiridores para Água Grande,
· 2 inquiridores para Região Autónoma do Príncipe
· 5 inquiridores para Mé-Zóchi,
· 2 inquiridores para Lobata
· 2 inquiridores Cantagalo,
· 2 inquiridores para Lemba,
· 1 inquiridores par Caué,
Partindo da hipótese que um controlador tem 4 inquiridores à cargo,
e assegurando a presença de um controlador em cada Distrito e
Região para evitar os deslocamentos, obtém-se :
· 2
controladores para Água-Grande,
· 1 controladores para Mezochi,
· 1 controlador para Lobata e Região Autónoma do Príncipe,
· 1 controladores para Cantagalo, Caué e Lembá,
Será igualmente
previsto 5 inquiridores de reserva para superar as eventuais
falhas e durante o resto do tempo prestar assistência aos controladores.
O
pessoal de terreno será composto de:
· 5
controladores
· 21 inquiridores,
· 5 inquiridores de reserva,
No que
toca a digitação o leitor deve referir-se ao parágrafo sobre
os aspectos informáticos.
7. Formação
Trata-se de uma etapa fundamental da preparação de um inquérito
e que influi na qualidade dos dados recolhidos. É por isso indispensável
de consagrá-lo tempo e meios necessários.
Mesmo
se o custo é mais elevado, recomenda-se fazer a formação num
lugar único, que seria a cidade de São Tomé. Terá que se encontrar
uma sala adequada, pois uma trintona de pessoas estarão implicadas
nesta formação que será efectuada pelos técnicos do Gabinete
de Inquérito aos Orçamentos Familiares.
A formação
compreenderá dois aspectos: a apresentação dos questionários,
manuais e instruções (tempo de formação) e a realização efectiva
de um teste no terreno (tempo dos testes). Uma última semana
será consagrada à síntese do teste e à selecção dos controladores,
escolhidos entre os melhores.
Como será indicado no documento metodológico, uma reciclagem será organizada
após três meses de terreno afim de se proceder à troca de experiências acumuladas
no decorrer deste primeiro período de recolha. Dois outros períodos de reciclagem
estão programados após seis e nove meses de recolha. É vivamente recomendada
organizar regularmente (cada semana) encontros entre os controladores e os
inquiridores ao longo da recolha. A dispersão do pessoal de terreno torna o
facto difícil no meio rural, o que, em contrapartida, seria possível no meio
urbano.
Os agentes
de digitação receberão igualmente uma formação, mas não será necessário
alugar uma sala para tal. O responsável informático e o controlador
de digitação farão esta formação.
8. Aspectos informáticos
Os aspectos
informáticos são essenciais para garantir a qualidade e a prontidão
dos resultados de inquérito. Isto passa-se à dois níveis: a digitação
e o tratamento.
Para
a digitação, duas opções se apresentam, para além da escolha
do programa. A digitação será centralizada. O interesse desta
segunda opção é ligado à dispersão do . A digitação poderá começar
desde a recolha e os primeiros controlos terminarem, sem esperar
que todos os questionários estejam recolhidos. Para além disso,
se erros importantes forem encontrados durante a digitação, é possível
voltar ao terreno. Entretanto, isto supõe ter um programa de
digitação bem feito, sem erros que a bloqueiam. Enfim, isso implica
dispor de micro-computadores para efeito.
Para
o tratamento, é em geral recomendado de utilizar o programa que é dominado
pelo pessoal da instituição que realiza o inquérito. Entretanto,
existe outros excelentes programas para esse tipo de inquérito
e que não é necessário uma formação muito longa.
Existe
um programa de digitação, LSD, desenvolvido por uma Sociedade
Chilena "Sistemas Integral" que é utilizado para o inquérito
aos Orçamentos Familiares na Polynésia Francesa e que convinha
a este tipo de inquérito.
Para
o tratamento, a mesma sociedade desenvolveu ARIEL +, um programa
que foi utilizado para inquéritos similares.
9. Calendário das operações
O INE
deseja começar o inquérito em Fevereiro de 2003. Entretanto,
um importante trabalho de preparação deve ser realizado, sobretudo
porque os quadros do INE não têm experiência no domínio dos inquéritos
Orçamento/Consumo. A realização do recenseamento da população
em Agosto de 2002 permite reduzir o tempo consagrado à preparação
de base de sondagem.
As principais etapas da preparação e da realização do inquérito são as seguintes:
· Criação
do Gabinete do Inquérito aos Orçamentos Familiares - Janeiro
de 2003;
· Elaboração do plano de análise e do plano de tabulação - Nov./2002 à Mar./2003;
· Elaboração dos questionários e manuais - Setembro de 2002 à Janeiro de 2003;
· Elaboração de Metodologia e do plano de sondagem - Ago./2002 à Jan./2003;
· Inquérito Piloto - Fevereiro de 2003;
· Finalização dos documentos de impressão (para formação) - Fevereiro de 2003;
· Selecção do pessoal de terreno - Fevereiro de 2003;
· Formação do pessoal de terreno - Fevereiro de 2003;
· Elaboração do programa de digitação e de apuramento - Março/Abril de 2003;
· Teste do programa de digitação - Abril de 2003;
· Elaboração do programa de tratamento - Maio/Junho de 2003;
· Preparação do programa de recolha - Fevereiro de 2003;
· Impressão dos documentos de inquérito - Fevereiro de 2003;
· Operação de recolha de dados - 28 de Fevereiro de 2003;
· Formação dos agentes de digitação - Junho de 2003;
· Digitação dos dados - Julho de 2003 à Julho de 2004;
· Apuramento dos dados - Agosto de 2003 à Agosto de 2004;
· Tratamento dos dados - Setembro à Novembro de 2004;
· Primeiros resultados - Fim de Novembro de 2004;
· Análise dos dados - Dezembro de 2004 à Maio de 2005;
· Publicação e difusão - Junho de 2005 ou mais tarde.
10. Assistência técnica
No âmbito
do acordo Estatístico Luso-Sãotomense as operações do Inquérito
aos Orçamentos Familiares contará com assistência de um técnico
do INE -P por fases ao longo da duração do projecto.
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